Acidificação oceânica – um passo para a próxima extinção em massa?

O livro513qCLaP5sL._SY344_BO1,204,203,200_ The Sixth Extinction: An Unnatural History (ainda sem tradução para o português) é um daqueles livros que não podemos deixar de ler. Por mais que seja sobre um assunto preocupante e eu diria triste, a autora Elizabeth Kolbert escreve de uma maneira leve. Em uma quase conversa com o leitor, ela conta sobre as extinções em massa que a Terra vem sofrendo nos últimos 450 milhões de anos. É um livro muito bem cientificamente embasado e referenciado, que descreve não só os cinco episódios que acabaram com a vida animal e vegetal em grande escala na Terra, mas também aposta que estamos muito próximos de uma sexta catástrofe.

A perda da biodiversidade causada pelos humanos é um assunto polêmico e, infelizmente, longe de ser um consenso. Mas é preciso falar sobre e criar estratégias para ao menos minimizar os danos que estamos a causar. Está mais do que na hora de deixarmos de sermos ingênuos e preguiçosos ao ponto de não mudarmos as coisas para melhor (para todos que vivem na Terra).

Uma vez que ainda não existe tradução para o português, vou escrever (e traduzir) de forma mais detalhada sobre um capítulo que acredito ser extremamente importante. O sexto capítulo, intitulado “O mar a nossa volta” conta que desde o começo da Revolução Industrial humanos vêm queimando combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás natural – adicionando assim, 365 bilhões de toneladas métricas de carbono na atmosfera. O desmatamento contribuiu para mais outros 180 bilhões. A cada ano, jogamos mais ou menos 9 bilhões de toneladas de CO2 na atmosfera, quantidade essa que vem aumentando 6% anualmente. Consequentemente, a concentração de dióxido de carbono hoje – 400 partículas por milhão – é mais alta que qualquer outro ponto nos últimos 800 000 anos da Terra, provavelmente a mais alta nos últimos milhões de anos.

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Extração de petróleo

Os oceanos cobrem 70% da superfície da Terra, e em qualquer lugar que água e ar se encontram, terá uma troca de gases. Os gases da atmosfera são absorvidos pelos oceanos e os gases dissolvidos pelos oceanos são liberados para a atmosfera. Quando a água (H2O) e o gás (CO2) se encontram é formado o ácido carbônico (H2CO3) que se dissocia na água e forma os íons CO3 ²¯ e H⁺. O nível de acidez é resultado da quantidade de íons H⁺ presentes em uma solução: quanto maior as emissões, mais íons H⁺ e mais ácidos os oceanos ficam. Devido ao fato de estarmos a adicionar uma quantidade grande de dióxido de carbono no ar, entra mais CO2 nos oceanos do que sai.

Estima-se que um terço de CO2 que nós humanos jogamos no ar é absorvido pelos oceanos. Infelizmente graças a todo esse excesso de CO2 o pH da água dos oceanos já caiu, de uma média de 8.2 para 8.1, o pH tem uma escala logarítmica, mesmo uma diferença numérica pequena representa uma grande mudança no mundo real. Para se ter uma ideia, o ponto no qual o ecossistema começa a ir à total falência, tem o pH 7.8, o que infelizmente espera-se acontecer até 2100. Quando isso acontecer, os oceanos estarão 150% mais ácidos do que no começo da Revolução Industrial. Se você tiver um filho pequeno provavelmente ele viverá esse momento. Com o pH a 7.8, o cientista Riebesell conta que alguns organismos tolerantes irão viver, mas de maneira geral existirá uma perda enorme da biodiversidade.

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Comparação de corais saudáveis versus corais em locais onde a acidificação é grande

Com a acidificação do mar, ocorrerá uma mudança na comunidade microbiana, o que alterará a quantidade de nutrientes como nitrogênio e ferro. Transformará também a quantidade de luz que passa para dentro da água e em geral, a acidificação tornará os oceanos mais barulhentos e promoverá um crescimento de algas tóxicas.

Pela queima de depósitos de carvão e petróleo, humanos estão colocando carbono no ar, que uma vez tinham sido mantidos “debaixo” da Terra por centenas de milhares de anos. Como consequência, estamos percorrendo a história geológica, não só no sentido inverso, mas em uma velocidade assustadora.

É a quantidade de CO2 colocada na atmosfera que faz o presente momento uma experiência geológica incomum e provavelmente sem precedentes na história da Terra. É provável que estamos a deixar um legado do período Antropoceno como um dos eventos mais notáveis, se não cataclísmicos da história do nosso planeta.

“Tempo é um ingrediente essencial, mas no mundo moderno não se há tempo.” Rachel Carson

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Listinha do amor

  • Ande mais e/ou utilize transporte público
  • Pare de comer carne
  • Dê preferência aos alimentos orgânicos
  • Plante e cuide das plantinhas nativas da sua região
  • Pense 1,2,3,…,1000 vezes antes de comprar algo material (Pergunte-se: Isto é realmente necessário na minha vida?)

E lembre-se, a Terra é tão sua como de qualquer outro animal ou vegetal que nela habita. Vamos viver em harmonia!

 

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6 comentários

  1. Incrível como evitamos parar para pensar sobre este assunto. Mais fácil e cômodo ir tocando a vida sem se preocupar com os danos que estamos causando. É assustadora a nossa realidade!
    Ah! Adorei a listinha do amor.
    Parabéns pelo texto!
    Te amo!!!!

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