Idosos Croatas – Fofura e Simpatia

“Existe somente uma idade para a gente ser feliz, somente uma época na vida de cada pessoa em que é possível sonhar e fazer planos e ter energia bastante para realizá-los a despeito de todas as dificuldades e obstáculos… Essa idade tão fugaz na vida da gente chama-se PRESENTE e tem a duração do instante que passa.” Mário Quintana

Novalja

Novalja

No início de junho tive a oportunidade de passar nove dias na Croácia, um país muito lindo, cheio de histórias interessantes e um mar de deixar qualquer filho de Deus com o queixo caído de tanta beleza. Mas preciso confessar, o que ganhou o meu apreço foi mesmo os idosos Croatas.

Que bela gente encontrei por lá, apenas a memória já me aquece o coração. Essa viagem foi especialmente recheada de improvisos e fofura. Sempre leio bastante sobre o meu destino, mas geralmente não faço muitos planos, não reservo hostel e não sei quantos dias passarei em cada cidade, simplesmente chego e literalmente sinto o lugar primeiro. Chegamos na Ilha de Pag, especificamente em Novalja. Saímos do verão Finlandês de  +10 graus  e paramos no verão croata de +30 graus. Chegamos de manhãzinha, fomos para a praia de mochila e tudo e vimos o sol nascer, vendo aquela imensidão de águas cristalinas em um balançar rítmico que mais parecia uma dança convidativa, o jeito foi entrar. Para ser sincera, a água estava bem fria, mas valeu para, como dizem por ai, lavar a alma.

Lá pelas nove da manhã, decidimos começar a procurar hospedagem. Em várias casas encontrava-se o anúncio, “Há quartos e apartamentos para alugar.” Geralmente as casas de frente ao mar são mais caras, então preferimos ir andando uns dois a três quarteirões. Vi uma casinha super bonitinha, branquinha e bem arrumadinha, resolvi tocar a campainha. A senhora, com um vestido floral e um pano de prato entre as mãos, apareceu toda sorridente, trazendo consigo aquele cheiro de café fresco que só uma vó consegue fazer. Há mais de 10 horas sem comer direito, meu estômago, como uma criança que não sabe se comportar diante de estranhos, já estava dando pulos de contentamento. Como era de se esperar, ela não falava inglês, mas isso não a impediu de nos mostrar o quarto, banheiro e a linda sacada com vista para o mar. Pelas minhas leituras, já sabia que devido a grande quantidade de turistas e por questões históricas, além de croata, alemão e italiano eram as línguas que mais predominavam por lá. Mais uma vez teria que me virar com o meu espanhol com pronúncia a lá italiano.

A senhora, dona da casa, era a simpatia em pessoa. Ela construiu uma escada no lado externo do sobrado e transformou o segundo andar em quartos para turistas. Todos os momentos que chegávamos perto da varanda, ela já vinha oferecendo café e lanchinho. No segundo dia o seu marido estava por lá, e quando chegamos da praia, veio oferecer vinho que ele mesmo fez com as uvas de seu quintal. Mesmo nos comunicando de forma truncada, entendendo uma palavra ali e outra acolá, passamos nada menos do que duas horas juntos, conversamos sobre os mais diversos assuntos. Tudo isso regado por um delicioso vinho caseiro.

No último dia quando fomos entregar a chave do apartamento e nos despedir, o marido da senhorinha queria nos levar na rodoviária de carro, mas não aceitamos, achei difícil explicar em italiano que na verdade íamos tentar pegar carona na rodovia. Até em Portugal quando disse “carona” não me entenderam, a palavra usada por aqueles lados é “boleia”. Com apenas dois ônibus por dia e em horários não convenientes, o jeito era tentar encontrar um cidadão que estava saindo da vila (de 3700 pessoas) em um domingo de manhã e que daria carona para dois jovens. A nossa caminhada em direção a rodovia começou bem cedinho, pois não queríamos perder nenhuma oportunidade. Depois de 30 minutos de tentativas frustradas, um táxi dirigido por um senhor muito fofo parou, nos contou que estava saindo da ilha para visitar sua família e nos pediu uma ajuda financeira para colocar gasolina no carro. Já com o sol forte batendo no rosto e com fome, não pensamos duas vezes, aceitamos na hora.

Foto tirada em uma das paradas feita pelo taxista

Foto tirada em uma das paradas feita pelo taxista

O senhor tinha 80 anos e estava escutando house music na maior altura. Com um inglês pior do que o meu italiano, ele queria nos contar a história da Croácia e queria parar o tempo inteiro para podermos tirar fotos. Novalja é conhecida por ser a Ibiza da Croácia, e ele nos contou que tinha passado a noite trabalhando, levando e buscando as pessoas em uma das festas da vila. Em uma fofura sem fim, ainda colocou a música “ai se eu te pego”, claro, tive que dançar. Com um jeito meninão e alegre, ele me fez lembrar o vovô Domingos. Como dizia Mário Quintana, Lentamente, ruga a ruga…Que importa? Eu sou, ainda, aquele mesmo menino teimoso de sempre.”

O nosso próximo destino era a Ilha de Hvar, ficamos por lá 6 noite e mais uma vez fomos recebidos por um casal todo sorridente,  em Hvar tivemos uma casa todinha para nós, era linda. Mesmo estando em casas separadas, tínhamos que tomar café e ter um dedo de proza todos os dias. As vezes a aflição tomava conta, porque ficava até três frases sem entender nadinha de nada, mas aprendi que mais importante do que falar, é escutar. Assim como em Novalja, um dia antes de irmos embora, eles nos ofereceram vinho caseiro, mostraram fotos de família, conversaram sobre a região, nos presentearam com óleo de lavanda e nos deram a benção para fazermos uma boa viagem.

Hvar

Hvar

Hvar

Hvar

Tive uma experiência linda e espero guardar na memória o sorriso de cada um.

Até breve Croácia.

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12 comentários

  1. Carol ao ler seu texto viajei junto com você. Fiquei com um pouquinho de inveja, só que é uma inveja bem saudável…daquelas que diz assim…”que bom que você está tendo a oportunidade de fazer tais viagens, que provavelmente nunca farei”…Continue curtindo muito e conhecendo o mundo pra valer…seja feliz…abraços!!!

  2. Carol! Tudo muito lindo! Fico explodindo de felicidade de ver você aproveitando essa passagem aqui na terra de uma forma tão maravilhosa. Abraços

  3. Que texto lindo! Fico tão orgulhosa de você, porque mesmo conhecendo tantos lugares paradisíacos, consegue enxergar a beleza, simplicidade e simpatia dessas senhorinhas e senhores que merecem todo o nosso carinho e respeito. Que Deus abençoe todos eles que cuidaram tão bem de vocês. Parabéns por ser esta pessoa tão sensível às verdadeiras belezas da vida. Eu te amoooooooooooooooo….

  4. Carol, seus textos são lindos, poeticos e deliciosos , como ja te disseram a gente viaja junto com voçê, nçao deixe de alimentar esse blog e nossas almas. Beijos
    Bia

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